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Index>Crônica 2
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ALÉM IMÓVEIS Os funcionários da imobiliária eram bem conhecidos na
região. Apareciam para executar algum servicinho com data marcada. Lembro-me do
Geromão, Gê, Fonfom Helio e outros que não me recordo agora. Certa ocasião foi
trabalhar na cidade de Água Limpa, um sargento bem recomendado, vindo das
bandas de Trindade. Era o Pedrinho,
mais conhecido como Delegado Pedrinho, homem de tradições fincadas nos anos
quarenta, nos sertões de Goiás. Por onde passou comandando destacamentos policiais
deixou sua marca contra pistoleiros. Este povinho traiçoeiro não tinha vez com
ele. Aonde chegava, criminoso de sangue não aprumava. Vai daí, começou a trabalhar. O riscado se cumpria: como
milagre os homens do escritório foram sumindo. Faziam viagens para muito longe
e nunca mais voltavam. Se alguém ia reclamar na delegacia mostrava o lado
profissional do desaparecido. Certamente tinha ido executar algum contrato em
outro Estado. Voltaria logo. Nunca aparecia. Ficou por
último o fazendeiro Zé Mato Grosso e seu lugar-tenente Helio. Pedrinho os
descobriu com quebra de milho contratada para Itumbiara. O alvo era um
farmacêutico mui galã. O boticário
andou mexendo com a mulher do fazendeiro João da Soca. Pedrinho havia
descoberto do Helio ter recebido um carro novo como parte do pagamento. Ele não tinha muita intimidade com este tipo de
máquina. No caminho indo de Buriti Alegre para o local combinado tiveram um
desentendimento com o carro novo. Na descida para o córrego foram ultrapassar
uma jamanta e Helio não calculou adequadamente o tempo e espaço. No aperto
tomou a opção errada. Jogou o carro para o acostamento. Outra jamanta descia com carga superior a trinta
toneladas. Tomou o rumo certo nestas imprudências: abriu para o acostamento
para o apressadinho passar entre os dois caminhões. Não houve tempo para
corrigir a manobra. Bateram de frente. O choque podia ser comparado à topada
dum tijolo em movimento com uma caixa de fósforos. O carro dos pistoleiros
acabou no fundo do riacho Lajeado há mais de trinta metros. A polícia compareceu e examinou o carro deles. Encontrou
duas pistolas, uma carabina, dois punhais e mais dois revolveres Taurus trinta
e oito. Curiosamente na carteira de Zé Mato Grosso, além de uma oração de São Cipriano
de corpo fechado, tinha uma tabela atualizada sobre os preços cobrados por cada
serviço: 1. Morte normal com arma de fogo: ·
Padre - trezentos
salários mínimos; ·
Fazendeiro
grande, deputado federal, senador, com serviço de jagunço ou proteção oficial –
duzentos e cinqüenta salários mínimos; ·
Fazendeiro médio,
comerciante remediado, médicos, advogados, prefeitos, deputados, juizes, promotores
de justiça e assemelhados. - duzentos e vinte salários mínimos; ·
Vereador,
comerciante pequeno, líderes comunitários, pastores, sitiantes - cento e
noventa salários mínimos. ·
Delegados de
polícia, oficiais de polícia, pistoleiros, mulheres em geral – cem salários
mínimos; ·
Agentes policiais
e praças de pré, até subtenentes – trinta e cinco salários mínimos. ·
Em caso de
pacotes com mais de duas encomendas – soldados rasos e policiais de pré, entram
como brinde à razão de um para cada duas encomendas. 2. Condições de pagamento: ·
À vista, quinze
por cento de desconto. ·
Outras situações,
metade na contratação, metade na entrega; ·
Pagamento somente em dinheiro brasileiro; ·
Não pedimos avalistas,
nem exigimos garantia. Sua palavra nos basta; 3. Entregar contra prova (orelha) aumento de dez por
cento. Cabeça vinte. 4. Não aceitamos reclamação. Não desfazemos negócios
acertados. 5. No ato da parcela inicial, apresentar nome, apelido,
fotografia recente e informações de onde pode ser encontrada a encomenda; 6. Morte com arma branca e outras formas cruéis, acertar
separadamente com o agente designado. Depois da morte dos dois últimos remanescentes alguns
delegados da região, como de Morrinhos, Caldas Novas, Goiatuba, Itumbiara, Água
Limpa, etc., se reuniram na cidade deles. Resolveram dar uma busca na Alem
Imóveis, para verificar os seus papéis. Um cofre grande foi arrombado, existia uma dezena de
contratos preenchidos com nomes e fotografias de muitas vítimas de crimes
misteriosos. Uma caixa tipo arquivo, tinha vinte e seis fichas, com a rubrica
aguardando sinal para finalizar. Metade das fotografias era de pessoas conhecidas. Três
das fichas pendentes chamavam a atenção: eram de policiais, dentre elas a do
Pedrinho delegado, e uma observação a lápis: quem executar não pagará comissão
para o escritório por dois anos. Muitas outras provas foram encontradas, mas a
prudência recomendava deixar o assunto do jeito que estava. Pelo menos por
alguns anos a região estaria sossegada. Cruz credo avemaria, mangalô três vezes. Três batidas em
madeira de lei... Gyn, 10JAN05 Delegado Euripedes III DELEGADO EURIPEDES III – natural de
Colômbia-SP no ano de 1950, vivendo até sua adolescência em Minas Gerais. Ingressou na Polícia Militar em 1.972, se
graduando sargento onde permaneceu por cinco anos. Formou-se em Direito pela
UFG em 1979.Aprovado em concurso público de 1983 na área de segurança pública.
Como delegado de polícia, atuou nas cidades de Itumbiara, Goiatuba e Goiânia.
Publicou os romances policiais: AR15 - A
NOVA LEI; EMBOSCADA- A POLÍTICA A SERVIÇO DO CRIME; NOITE MACABRA e OPERAÇÃO
AVESTRUZ. Em 2006 brincou com a bicharada com a fábula infantil GIOVANA, UMA COBRINHA MUITO ESPERTA. Em
2.007 em parceria com Joaquim Cezar A. Rocha, ex-presidente da AGPE e Banco do
Povo de Goiânia desenvolveram a palestra de auto-ajuda DICAS DE SEGURANÇA – SAIA DA MIRA, a qual nasceu o livro com o
mesmo nome. Atualmente esta trabalhando na Supervisão da Polícia Civil e
divulgação do novo romance UM ENIGMA DE
ONZE LETRAS. É palestrante do projeto Escola sem Drogas da ACADEMIA DE
POLICIA CIVIL DO ESTADO DE GOIÁS. Premiado no concurso SESI/BANCO DO BRASIL -
ARTE E CRIATIVIDADE (Estado de Goiás) em 2001, 2003, 2006 e 2007. ACOMPANHE
O EXPEDIENTE DA DELEGACIA DE CONTOS NA RÁDIO MIL FM (102,9) DAS 06h30 AS 07h30
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